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quarta-feira, 30 de março de 2011

 A hora da verdade
Por Pedro de Jesus Silva 
Presidente do Coren-RJ
   O senador americano Hiram Johnson (1866-1945) fi­cou notório pela frase "Na guerra, a primeira vítima é sempre a verdade".
   Apesar de ter sido dita em 1917, quando os EUA entravam na Primeira Guerra Mun­dial, esta sentença continua atual e hoje se refere ã difi­culdade de se conhecer os fatos na sua integridade quando os nervos ficam à flor da pele.
   Em um caso como o do recém-nascido que teve a perna queimada e em seguida amputada, é natural que profissionais de Saúde e a população deixem a in­dignação pautar o julgamento.
   Mas nós, do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RJ) não podemos deixar a verdade sucumbir, nem mesmo em um caso terrível como este.
   O Conselho fez inspeção na unidade cirúrgica do Ins­tituto Fernandes Figueira, onde ocorreu o triste fato.
   O objetivo do Coren era tomar ciência da versão dos fatos pela categoria, já que estes profissionais não tiveram a devida oportunidade para apresentar explicações.
   E foi possível constatar, de imediato, que não há pro­fissionais de enfermagem em quantidade suficiente. E algumas determinações técnicas não eram cumpridas.
   Adicione-se aí problemas de escala de pessoal, que obri­gam a malabarismos administrativos quando um profis­sional falta.
   Material obsoleto usado nas cirurgias tam­bém contribui para o estado de coisas que levou à tragé­dia — no laudo do Coren há detalhes e ainda a informa­ção de que a avaliação da situação (segundo o livro de ocorrências) foi feita por telefone por um cirurgião.
   Vale destacar que os profissionais de enfermagem da instituição cumpriram com suas missões.
   O caso foi uma fatalidade.
   Mas o inquérito policial não poderá se desviar apenas para os profissionais de enfermagem do hospital, sob pena de estarem aniquilando de vez mais uma vítima nesta história: a verdade.
 
Este artigo foi publicado no Jornal “O Dia”, edição de 29 de março de 2011.